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Transtorno de compulsão alimentar periódica – tudo o que você precisa saber

Entenda como identificar e tratar essa séria desordem alimentar
Publicado em: 23/02/2021


O que é

O Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) se manifesta, como o nome sugere, em episódios onde a pessoa come de maneira desordenada a despeito da saciedade e da (não) necessidade de se alimentar naquele momento.

Como resultado, se estabelece uma forte tendência para o surgimento de doenças como diabetes, colesterol alto e obesidade.

Porém, apesar de envolver a ingestão de alimentos, essa doença é considerada um distúrbio psiquiátrico. Isso porque os principais mecanismos por trás do TCAP são de natureza psicológica.

Dessa forma, o cuidado mental é a principal forma de tratamento, em paralelo, programas para resgatar a boa forma física também são utilizados.

 

 

Sintomas

O TCAP é um distúrbio cujos sintomas são bem definidos e relativamente consistentes de pessoa para pessoa. Os principais são:

 

  • Baixa autoestima, principalmente ligada a um quadro de obesidade;
  • Sentimento de insatisfação e desprezo pela própria forma física;
  • Quadro depressivo e/ou ansioso;
  • Comer mais rápido que o normal;
  • Preferir comer sozinho;
  • Ficar cheio demais após uma refeição;

 

É importante ressaltar que os sintomas associados à ingestão de alimentos em si podem se manifestar apenas durante os episódios de compulsão, e não durante todo o tempo.

Um fator que pode dificultar a observação é o fato de que, em alguns casos, os episódios ocorrem longe dos olhos de outras pessoas. Isso permite que o portador do transtorno esconda sua verdadeira condição das pessoas próximas, que poderiam encorajá-lo a buscar a ajuda necessária.

 

 

Causas

As razões por trás do surgimento do TCAP ainda não foram completamente determinadas. Existem, entretanto, diversos fatores de risco que estão consistentemente associados à existência desse transtorno.

Alguns deles incluem:

 

Existência de outras condições mentais: Um dos maiores motivos para as crises de compulsão alimentar são sintomas de transtornos como depressão e ansiedade.

Como forma de lidar com o mal-estar causado por um momento particularmente difícil, a pessoa usa a comida como válvula de escape.

Outras condições que podem contribuir para o TCAP são o Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT) e o Transtorno Bipolar, por exemplo.

 

Situações de alto estresse: Em certos casos, uma rotina estressante pode catalisar episódios de compulsão alimentar. Nesse caso, comer se torna uma forma desesperada de lidar com a pressão do dia a dia.

 

Traumas: A forma de lidar com um evento traumático varia bastante de pessoa para pessoa. Uma dessas formas é adotar hábitos alimentares insustentáveis, seja pela falta ou, mais comumente, pelo excesso.

Situações como perda de uma pessoa querida, divórcio, perda de emprego ou abuso são alguns tipos comuns de trauma que podem estar relacionados ao TCAP.

 

Genética: Alguns estudos sugerem que pessoas cujos pais tinham TCAP têm uma predisposição ao mesmo transtorno. Além disso, o sexo também influencia nessa predisposição: o TCAP costuma atingir mais mulheres do que homens.

 

 

Diagnóstico

Boa parte das pessoas passou, pelo menos em alguma situação específica, por um momento de compulsão alimentar.

Esses casos são comuns em celebrações tradicionais como o aniversário de alguém ou nas festas de fim de ano. Porém, por se tratarem de casos mais pontuais, não podem ser designados como Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica.

Considera-se a existência de alguns critérios para que o diagnóstico de TCAP ocorra. São eles:

 

  • Episódios semanais (ou com maior frequência) nos últimos 3 meses;
  • Existência de três ou mais das seguintes características: comer muito rápido, não se alimentar na presença de outras pessoas, ficar cheio demais depois de comer, comer sem sentir fome e sentir-se culpado ou frustrado após a refeição;
  • Episódios com duração de até duas horas onde a pessoa não tem controle sobre si e come muito mais que o necessário ou o razoável considerando esse intervalo de tempo;
  • Não tenta vomitar, tomar laxantes ou fazer outro tipo de compensação inadequada, como acontece na anorexia e bulimia.

 

Após o diagnóstico da doença, é feita a avaliação do grau de severidade. Essa avaliação é feita de acordo com o número de episódios por semana conforme o seguinte critério:

Leve: Até 3 episódios;

Moderado: Entre 4 e 7 episódios;

Grave: Entre 8 e 13 episódios;

Gravíssimo: Acima de 13 episódios.

 

Importante dizer que o TCAP atinge principalmente pessoas jovens, em torno dos 20 anos. Apesar disso, crianças e pessoas mais velhas também podem sofre do transtorno.

É na infância, inclusive, que muitos dos comportamentos relacionados ao TCAP surgem, geralmente por influência familiar.

 

 

Tratamento

Existem várias opções de tratamento contra o TCAP, as duas principais são as terapias (que podem ser de diversos tipos e podem ser usadas em combinação) e o uso de medicamentos.

Alguns fatores são importantes para determinar o tipo de abordagem usada no tratamento. Informações como o grau de severidade, presença de outros transtornos mentais e o peso do paciente influenciam, por exemplo.

No caso das terapias, algumas das mais comuns incluem:

 

Terapia Comportamental Dialética: Nessa abordagem, o episódio de compulsão alimentar tratado como uma reação a emoções profundamente negativas.

Dessa forma, o objetivo dessa terapia é trabalhar o emocional do paciente para lidar de maneira mais saudável com as situações negativas do dia a dia.

 

Terapia Cognitivo Comportamental (TCC): A TCC vê o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica como a consequência de uma noção extrema que o paciente tem a respeito do próprio corpo.

Por conta da profunda insatisfação, a pessoa com TCAP impõe a si mesma restrições alimentares que vão além daquilo que é saudável ou sustentável. Isso resulta em episódios onde ocorre compensação: a pessoa come compulsivamente e muito além do necessário.

Essa abordagem visa, portanto, interromper esse estado binário de restrição extrema seguida de compulsão.

Isso acontece através do compartilhamento de estratégias mais saudáveis de alimentação além de auxiliar o paciente a adotar uma postura menos agressiva em relação ao próprio corpo.

 

Terapia Interpessoal: Essa modalidade, como o nome sugere, valoriza as relações interpessoais e atribui à qualidade dessas relações o surgimento de transtornos alimentares como o TCAP. Ou seja, uma pessoa desenvolve compulsão alimentar devido o estado insatisfatório de seus relacionamentos.

Dessa forma, a Terapia Interpessoal atua no sentido de melhorar as habilidades sociais e desenvolver ferramentas que possam ser úteis para o bom relacionamento do paciente com outras pessoas.

 

Medicamentos

Quanto aos medicamentos, seu uso também é adotado no tratamento contra o TCAP, embora as terapias sejam o método mais comumente recomendado.

Os antidepressivos e anticonvulsivos são algumas das medicações usadas para tratar o TCAP. Além deles, outros medicamentos usados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também podem ser aplicados.

Lembre-se que o consumo de qualquer medicamento do tipo deve obedecer as prescrições de um psiquiatra.

 

Programas de perda de peso

Se seguir sem tratamento ao longo de vários meses ou anos, o TCAP pode gerar diversos problemas de saúde, sendo a obesidade um dos mais graves. Por isso, existe uma forte recomendação para que o paciente participe de um programa de redução de peso.

Nesse tipo de tratamento a pessoa receberá estratégias para adotar um estilo de vida mais saudável.

Isso passa por:

  • Monitorar a quantidade de alimento consumido ao longo do dia;
  • Regular a qualidade das suas refeições;
  • Estabelecer uma rotina de exercícios físicos;
  • Regularizar a rotina de sono;
  • Prestar conta dos seus hábitos alimentares a uma pessoa próxima;
  • Identificar e evitar situações que facilitem o consumo exagerado de comida;

Lembre-se o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica é um dos distúrbios alimentares mais comuns entre adultos e possui consequências sérias ao longo prazo.

Por isso, se você tem, ou conhece alguém que sofre de um transtorno alimentar, não deixe de procurar (e oferecer) ajuda.

Levar uma vida mais saudável e proveitosa é possível, mas pode exigir certo esforço. Disponha-se a fazê-lo.



Por: João Vitor dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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