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Os impactos do vício em pornografia sobre a mente

Devido as imposições de isolamento social, o consumo de pornografia cresceu ainda mais durante a pandemia. Entenda agora os efeitos colaterais desse hábito.
Publicado em: 24/01/2021


 

Introdução

“Sem precedentes” é um termo justo para descrever toda a “situação Covid-19”.

Porém, uma observação honesta nos obriga a dizer que sim, praticamente tudo o que aconteceu durantes os últimos 12 meses já aconteceu em outros momentos da história, inclusive o infame isolamento social.

O que não se tem registrado é a escala que estamos presenciando hoje, e também, nunca havia acontecido conosco.

Mais do que a guerra contra um vírus, estamos participando de um dos maiores experimentos sociais da história (se tal termo é permitido nesse contexto), cujas consequências provavelmente ecoarão pelas décadas a seguir.

Olhemos para o já citado isolamento social, por exemplo. Uma medida cujo o objetivo é reduzir o contato físico entre as pessoas dificilmente terá como única consequência a redução de infecções. Seres humanos são sofisticados demais para isso (até aqui surpresa nenhuma, já que até os ratos também o são).

O desafio está em tomar nota, compreender, e, na medida do possível, mitigar os efeitos colaterais que a quarentena traz.

Isto é um desafio porque esses efeitos tocam praticamente todas as esferas da vida em sociedade. Desde a economia até a espiritualidade.

Mas não é pelo mercado nem pela religião que estamos aqui.

Vamos falar de pornografia. Ou melhor, de como ela afeta a saúde mental de milhões de pessoas ao redor do mundo.

 

 

Razões por trás do consumo

Uma das respostas mais imediatas do porquê as pessoas consomem pornografia é a disponibilidade. Desde a chegada da internet, acessar pornografia se tornou exponencialmente mais fácil.

Estando a um clique de distância, com um volume e variedade quase ilimitados e a um custo médio baixíssimo (muitas vezes, o único custo é o de acessar a internet), a pornografia se tornou uma opção incrivelmente viável.

O consumo também costuma ser uma resposta às emoções que surgem no dia a dia.

Estresse, ansiedade, raiva, tédio ou solidão (por exemplo) podem justificar o acesso a conteúdo adulto, para algumas pessoas.

É nesse ponto que se faz necessária a menção ao isolamento social.

Como dito na introdução, e mais importante, vivenciado na pele por muitas pessoas, manter-se confinado e longe do contato físico com outros humanos, não é um exercício psicológico exatamente saudável.

Essa carga mental é administrada de maneiras diferentes por cada pessoa. Algumas delas, recorrem à pornografia.

Uma pesquisa acompanhou as buscas por diversos sites adultos entre os meses de janeiro e maio de 2020. Os resultados indicam que houve um aumento consistente nas pesquisas, chegando a 11% em um dos endereços.

Tendo em mente que o consumo de material pornográfico está, de certa forma, associado aos sentimentos negativos, os dados sugerem que a pandemia, um evento massivamente negativo, impulsionou a incidência desses sentimentos, e, consequentemente, fez o mesmo com o uso da pornografia.

 

 homem-assistindo-pornografia-sentado-na-janela

 

 

É claro que estes dois pontos, o fácil acesso e os sentimentos negativos, não esgotam os motivos por trás do consumo de pornografia.

Muitos outros fatores têm sua parcela de contribuição. Dois que podem vir à mente mais facilmente são a liberação de energia sexual e a insegurança a respeito da própria sexualidade.

Não é nosso objetivo explorar todos eles, apenas apresentar os principais mecanismos que motivam o consumo de conteúdo adulto.

Antes de iniciar a próxima seção, porém, aproveitamos esses parênteses para salientar que os posicionamentos científicos variam muito quando o assunto é pornografia.

Isto talvez seja uma consequência do fato de que os efeitos do consumo de pornografia variem bastante de pessoa para pessoa também.

O objetivo desse artigo é explorar até que ponto, normalmente, o uso de pornografia afeta negativamente a mente. Jamais nos negando a reconhecer, porém, que contraexemplos existem.

A única certeza é de que se há um consenso, ele está além do horizonte. Pelo menos por enquanto.

 

 

Os efeitos mentais da pornografia

Usada como forma de gratificação frente os sentimentos ruins, a pornografia possui uma dinâmica de uso que se assemelha à das drogas e da jogatina.

Todas essas três atividades (e algumas outras não mencionadas aqui), geralmente funcionam como mecanismos de escape para quem se vê rodeado de emoções negativas. Um tipo de fórmula mágica para alegria instantânea, porém temporária.

Isso significa que o efeito imediato do uso de pornografia é a liberação de uma quantidade enorme de neurotransmissores relacionados ao prazer e a satisfação. O mais conhecido deles, é o hormônio dopamina.

Com uma descarga de satisfação tão grande, a resposta do cérebro é buscar repetir a experiência que causou essa onda de prazer.

Isto, ao mesmo tempo, aumenta a resistência do cérebro aos efeitos da dopamina, fazendo com que doses cada vez mais altas sejam necessárias.

Os êxtases são mais ou menos igualmente satisfatórios, mas durante o resto do tempo os sentimentos negativos vão ficando cada vez mais fortes. A fisiologia clama por mais dopamina. O viciado cede e o ciclo continua.

 

 

 homem-viciado-em-pornografia-usando-computador

 

 

Tal qual um náufrago matando a sede com água salgada, a pessoa afasta os sentimentos negativos com pornografia (ou drogas, ou comida, ou...).

Essas atividades, porém, estão para a felicidade assim como a água do mar está para a hidratação. São métodos de conseguir gratificação que, apesar do prazer imediato, trazem consequências adversas.

Entre elas pode-se citar:

  • Alteração na plasticidade cerebral – a capacidade do cérebro de se adaptar a novas situações;
  • Redução de volume e atividade na mesma região do cérebro que é afetada por doenças como Alzheimer, Parkinson e mal de Huntington;

 

Vale a pena citar outros efeitos colaterais mais específicos, obtidos a partir de diversos estudos sobre os efeitos da pornografia:

 

Desempenho escolar reduzido: Um estudo publicado em dezembro de 2019 aponta que o consumo de pornografia está associado a queda na performance escolar;

Libido menor: O corpo de evidências de que a pornografia pode afetar o desejo sexual não é pequeno. Este estudo de 2015, por exemplo, evidencia que alunos do ensino médio que consomem conteúdo adulto possuem um desejo sexual atipicamente baixo.

Piora na qualidade do relacionamento amoroso: A excitação “artificial” causada pela pornografia pode fazer com que o interesse pelo parceiro de ‘carne e osso’ (não que os atores adultos não sejam) diminua. Isso provoca uma desconexão que pode gerar insatisfação e ressentimento para ambas as partes.

Dificuldades emocionais: Sentimentos de culpa, remoso ou tristeza costumam ser mais comuns entre consumidores de conteúdo erótico.

Conforme explicado anteriormente, quando essa pessoa não está tendo um pico de dopamina, sensações desagradáveis tendem a surgir. Irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração são algumas delas.

Isolamento psicológico: O consumo em pornografia (e principalmente o vício), pode motivar um afastamento psicológico das pessoas mais próximas.

Além disso, por ser uma atividade extremamente pessoal, o consumo de pornografia pode motivar a pessoa a levar uma “vida secreta” e a mentiras para encobrir seus hábitos.

 

 

 boneco-de-esqueleto-no-computador

 

 

Objetificação sexual: Outra consequência não incomum é a perda de empatia pelas outras pessoas.

Seres humanos deixam de ser humanos e passam a ser vistos como meros objetos sexuais. Os únicos atributos que importam são aqueles relacionados ao sexo enquanto o aspecto emocional de cada relação conta para nada.

 

 

Como lidar com o vício em pornografia

Embora o vício em pornografia não seja tão discutido quanto o vício em drogas, por exemplo, existem algumas formas confiáveis de enfrentar o problema.

Consideramos justo elencar a educação sobre o tema como a primeira dessas formas.

Conhecer a dimensão dos riscos associados ao uso de pornografia, e a própria realidade do vício é um importante primeiro passo em direção a recuperação.

Outro ponto importante são os grupos de apoio. Nessas comunidades é possível encontrar um ambiente livre de julgamentos com pessoas em uma situação semelhante, que se apoiam mutuamente.

No Brasil, o Sexólicos Anônimos é uma boa opção para quem procura um grupo de apoio online.

A terceira opção, por fim, envolve ajuda profissional: psicoterapia.

A psicologia é um método seguro e eficaz, capaz de lidar com os sentimentos de vergonha, culpa e solidão que normalmente acompanham o uso de pornografia.

Graças a iniciativas como a PsyMeet, a terapia também é muito acessível e pode ser feita online. Clique aqui para encontrar um profissional.

Uma das grandes vantagens da terapia é a versatilidade. Normalmente fica a cargo do cliente decidir se o objetivo do tratamento é parar completamente ou apenas reduzir as horas de consumo. Além disso, o ritmo do progresso também é definido pelo paciente, sem a pressão por resultados imediatos.

Finalmente, é importante lembrar que a terapia envolve um profissional e um ambiente de bastante confidencialidade.

Pornografia (e principalmente o vício nela) é um assunto que ainda carrega certo estigma. Considere então que a terapia é um espaço privado tão adequado para o autoconhecimento, amadurecimento e crescimento quanto um espaço desse tipo pode ser.



Por: João Vitor dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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