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Enem 2021 – Vencendo o estigma sobre as doenças mentais

Apesar de ser um problema bem mais comum do que se imaginava inicialmente, nossa percepção e resposta às doenças mentais ainda não amadureceu o suficiente.
Publicado em: 18/01/2021


Doenças físicas e mentais, além do óbvio fato de que as primeiras afetam o corpo, e as segundas, a mente, em poucas coisas se diferenciam.

As consequências são muito semelhantes para ambas: a vítima perde em bem-estar e qualidade de vida além de ficar incapacitada, parcial ou totalmente, de manter sua rotina.

Um estudo indica, inclusive, que males psicológicos e somáticos andam juntos: a depressão pode causar problemas no trato digestivo assim como doenças cardíacas podem levar à ansiedade, por exemplo.

Uma coisa que diferencia, porém, as doenças mentais das físicas é a forma como são vistas, tanto pelo próprio doente quanto pelas outras pessoas.

Pessoas com doenças mentais, além de lidarem com a questão do bem-estar, da qualidade de vida e da rotina, também enfrentam um estigma.

Enquanto o significado original da palavra é ‘cicatriz’ ou ‘marca visível no corpo’, no contexto social ela está associada ao estereótipo que se constrói em torno de certa característica.

Nesse caso, a característica é a doença mental, e o estereótipo, é de que a pessoa que sofre com alguma delas:

  • É fraca, e por isso adoeceu;
  • É perigosa, não deve viver em sociedade;
  • É irresponsável, e deve ser assistida todo o tempo.

Uma pesquisa sugere que uma concepção sobre doenças mentais é a de que pessoas que sofrem desses males são, de alguma forma, culpadas pela sua situação.

Nesses casos, a reação não é de pena – como ocorre com quem sofre de uma doença física – mas de raiva, acompanhada da crença de que o doente não merece ajuda.

 

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Como o estigma afeta pessoas com doenças mentais

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o estigma pode surgir de diversas fontes: familiares, amigos, colegas e até a própria pessoa podem ser influenciados pelo preconceito contra alguém que tem doenças mentais.

Esse preconceito, embora não seja a única causa, está associado:

  • Ao receio em assumir que se tem um problema psicológico e procurar ajuda;
  • À dificuldade em encontrar uma vaga de emprego;
  • Ao afastamento ou falta de apoio da família e amigos.

 

Por conta desses fatores, além das dificuldades próprias do diagnóstico, a pessoa tende, cada vez mais, a associar a si própria com a doença.

É como se o diagnóstico fosse a única informação necessária para definir totalmente quem ela é.

Isso, naturalmente, é um grande golpe para a autoestima de alguém que já está com a mente fragilizada.

Sem o apoio necessário para lidar com isso, a pessoa passa a considerar que realmente não merece receber ajuda, encontrar uma oportunidade de trabalho ou ter relações saudáveis com as outras pessoas.

O ciclo vicioso está criado, e sem receber ajuda, é muito improvável que esse quadro se inverta.

 

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Existe, contudo, uma outra reação possível, apontam outras pesquisas.

Segundo esses dados, a pessoa que sofre com esse tipo de discriminação dentro de um programa de tratamento contra a doença mental, pode também se indignar com o tratamento recebido.

Esse descontentamento se converte em atividades no sentido de atuar na origem do problema para que o caso não se repita e o atendimento melhore – um exemplo de como extrair algo positivo de uma situação ruim.

 

 

Como reagir e enfrentar o estigma

Sofrer preconceito nunca é fácil, principalmente quando o motivo é uma doença sobre a qual a pessoa não tem controle.

Existem, porém, algumas medidas que podem ajudar a pessoa que sofre com o estigma a lidar com esse problema:

Não deixe a doença definir você: Uma doença mental não precisa ser sua principal característica. Você não é a doença. Por isso, jamais deixe de exercitar e explorar os demais aspectos da sua personalidade, eles são mais importantes que qualquer diagnóstico;

Converse com as pessoas de confiança: A constatação de um transtorno mental não é uma notícia fácil, mas não se isole por conta disso. Esse é o momento de entrar em contato com pessoas de confiança, que oferecerão apoio e compreensão na jornada adiante.

Procure tratamento: Por mais que o tratamento, a princípio, reforce o estigma para algumas pessoas, ele é essencial para enfrentar a doença com as melhores ferramentas à disposição. Dessa forma, mais saúde e uma qualidade de vida melhor estarão ao seu alcance.

Ajude a espalhar conhecimento sobre as doenças mentais: Considere compartilhar a sua experiência e suas opiniões sobre o tema nos canais adequados.

 

Um estudo mostrou que educação e contato estão entre as principais maneiras de vencer o estigma.

Portanto, é importante que as doenças mentais sejam mais discutidas e apresentadas como o que são: doenças, e não a consequência de uma personalidade fraca ou caráter ruim.

Algumas dessas doenças podem ser tratadas e curadas, outras não (assim como ocorre nas doenças físicas). De qualquer forma, um diagnóstico de doença mental não significa automaticamente que a pessoa deve ser ostracizada do convívio social.

Outra forma de combater o preconceito é, então, incluir pessoas com transtornos mentais.

Ao notar que, apesar da doença, muitas delas contribuem positivamente para a sociedade, a percepção do público em geral sobre as essas pessoas tenderá a mudar para melhor.



Por: João Vitor dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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