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Desvendando o TDAH – Diagnóstico e tratamento

No segundo artigo da série sobre TDAH, saiba tudo sobre o diagnóstico e como funciona o tratamento contra o transtorno
Publicado em: 01/02/2021


 Este é o segundo em uma série de três artigos. No primeiro, que você pode encontrar aqui, falamos sobre o que é, e quais os principais sintomas do TDAH em crianças e adultos.

 

 

Identificação dos sinais

O diagnóstico do TDAH ocorre de maneira um tanto menos direta se comparado a outras doenças, como o diabetes, por exemplo. Por isso, é importante entender os passos havendo a dúvida se existe ou não um quadro de TDAH.

Caso os pais suspeitem que a criança tem TDAH, um bom primeiro passo é consultar os professores. Com isso, é possível confirmar se os sintomas também se manifestam no ambiente escolar, o que pode facilitar o diagnóstico posteriormente.

A observação é extremamente importante ao lidar com o transtorno, visto que o diagnóstico não acontece através de um exame ou teste fisiológico, mas sim de uma avaliação.

Esta avaliação leva em conta vários fatores e, através deles, determina se o caso realmente se trata de TDAH ou não.

É muito importante ter em mente que o TDAH envolve alguns critérios obrigatórios para seu diagnóstico. São eles:

  • Manifestação dos sintomas em, no mínimo, dois ambientes diferentes (como em casa e na escola, por exemplo). Caso contrário, pode ser que se trate apenas de uma reação a uma situação específica;
  • Manifestação dos sintomas de maneira consistente por, pelo menos, 6 meses;
  • Os sintomas claramente afetam a rotina da criança;
  • Os sintomas surgiram antes dos 12 anos de idade;
  • Ausência de uma condição mental ou problemas pessoais que justifiquem os sintomas.

 

Caso não conheça os sintomas do TDAH, você pode conferi-los no nosso artigo anterior.

Após uma avaliação conjunta entre pais e professores, uma boa opção é contatar um médico de confiança.

Esse profissional não precisa necessariamente ser qualificado para dar o diagnóstico de TDAH, mas sendo o médico da família, pode ajudar a entender a situação, passar algumas instruções iniciais e, se necessário, fazer o encaminhamento a um especialista no assunto para avaliação.

 

Avaliação – Quem pode fazer e como funciona?

Avaliação é o processo através do qual um especialista determina se a criança tem TDAH ou não. Ou seja, para que o diagnóstico seja feito, é necessário que uma avaliação aconteça primeiro.

Vários profissionais podem fazer esse diagnóstico, alguns deles são:

  • Psiquiatra adulto ou infantil;
  • Psicólogo;
  • Pediatra;
  • Especialista em deficiência de aprendizado;

 

Além da indicação do médico da família, citada na seção anterior, um importante critério de escolha é a experiência do profissional em questão em lidar com o TDAH.

Embora os pormenores fiquem a cargo de cada especialista, a avaliação geralmente envolve extensivas conversas com a criança e seus responsáveis.

Em muitos casos, outras figuras também podem ser entrevistadas, principalmente os professores.

A participação de pais e professores é muito útil pois ajuda a mapear o comportamento da criança em dois dos principais ambientes de seu desenvolvimento.

As conversas, que devem acontecer pessoalmente, costumam girar em torno de temas como relacionamentos, histórico de doenças, intensidade dos sintomas, estilo de vida, entre outros.

 

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Diagnóstico

Como vimos no primeiro artigo da série os três tipos de TDAH são:

  • Predominantemente desatento;
  • Predominantemente hiperativo-impulsivo;
  • Combinado (misto das duas primeiras);

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V), fornece os seguintes critérios diagnósticos para enquadrar o TDAH em um dos três tipos:

Desatento

  • Desatenção a detalhes e erros;
  • Dificuldade em manter atenção;
  • Dificuldade com instruções, regras e prazos;
  • Desorganização;
  • Evita tarefas de esforço mental;
  • Perde ou esquece objetos constantemente;
  • Se distrai com muita facilidade;
  • Não automatiza tarefas do cotidiano.

Hiperativo-impulsivo

  • Se move em excesso;
  • Dificuldade em permanecer sentado;
  • Se expõe ao perigo constantemente;
  • Acelerado para as atividades;
  • Faz tudo de maneira muito enérgica
  • Fala muito e interrompe constantemente;
  • Não espera que a pergunta termine antes de responder;
  • Muita dificuldade em esperar;

 

Vale lembrar que para se enquadrar como desatenta, a criança deve se apresentar pelo menos 6 critérios dessa categoria. O mesmo vale para o caso hiperativo-impulsivo.

Para o tipo Combinado de TDAH, o paciente deve apresentar pelo menos 6 sintomas de cada um dos tipos.

Outra conclusão importante obtida do diagnóstico é a severidade do caso. A severidade se divide em três níveis:

Leve: Apesar de atender os critérios para o diagnóstico de TDAH, o impacto do transtorno sobre a vida do paciente é restrito;

Moderado: O impacto sobre a vida da criança é mais perceptível e passa a afetar sua rotina de forma mais séria;

Severo: Apresenta uma grande quantidade de sintomas, além disso, sua intensidade prejudica profundamente em diversas áreas da vida.

 

 

Diagnóstico em adultos

O diagnóstico em adultos segue, em linhas gerais, o mesmo fluxo do diagnóstico em crianças.

É fundamental, nesse caso, confirmar se os sintomas surgiram na infância, visto que o consenso atual é de que o TDAH pode se manifestar, mas não se desenvolve em adultos.

A avaliação, além de envolver o próprio adulto, pode também envolver seus pais, parceiro ou outros membros da família.

Algumas vezes, até uma conversa com antigos professores (ou outros contatos) pode ser necessária, caso o TDAH não tenha sido devidamente diagnosticado na infância.

 

 

Tratamento

É importante começar dizendo que o TDAH é um distúrbio sem cura. A boa notícia é que os tratamentos disponíveis permitem que os diagnosticados vivam uma vida produtiva e com os sintomas bem sob controle.

O método de tratamento mais comum para o transtorno é o uso de medicamentos. Muitas vezes, inclusive, uma pessoa com TDAH não precisa de outras formas de tratamento além do uso de remédios.

Os medicamentos usados no combate ao TDAH se dividem em dois grupos: estimulantes e não estimulantes.

Antes de falar mais detalhadamente sobre as medicações, ressaltamos aqui que o consumo de qualquer remédio deve ser feito sob orientação médica.

Como o efeito, duração e efeitos colaterais variam bastante entre eles, o acompanhamento de um profissional é indispensável. Os remédios discutidos a seguir podem ser usados tanto em crianças quanto adultos.

 

 

Medicamentos estimulantes

Estimulantes do Sistema Nervoso Central (SNC) são os medicamentos mais comumente recomendados no tratamento contra o TDAH.

Entre eles se destaca o Metilfenidato, que pode ser de curta ou longa ação:

  • Ação curta (Ritalina) – 3 a 5 horas;
  • Ação longa (Ritalina LA e Concerta) – 8 e 12 horas, respectivamente.

 

Os estimulantes atuam na liberação do hormônio dopamina. Graças a isso, melhoram o foco e a capacidade da criança prestar atenção.

 

 

Medicamentos não estimulantes

Uma alternativa aos estimulantes, um medicamento não estimulante, como a atomoxetina (conhecida comercialmente como Strattera) ajuda em áreas como atenção e memória.

Essa categoria é indicada nos casos onde os medicamentos estimulantes não funcionam ou quando seus efeitos colaterais se tornam desconfortáveis por demais (mais sobre isso na próxima seção).

Atuam como bloqueadores seletivos da recaptura de noradrenalina. Isso significa que a atomoxetina diminui a capacidade do cérebro de absorver noradrenalina – um hormônio liberado em situações de estresse. Essa queda na absorção é o que promove a diminuição dos sintomas de TDAH.

Seu uso é contraindicado para crianças menores de 6 anos e costuma ser consumido na forma de cápsulas, no máximo duas vezes por dia.

 

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Efeitos colaterais dos medicamentos

Um fator importante no emprego ou não de determinado remédio são seus efeitos colaterais.

Entre estimulantes e não estimulantes, a maior parte da lista de efeitos colaterais compreende a ambos. São eles:

  • Nervosismo;
  • Irritabilidade;
  • Boca seca;
  • Dificuldade para dormir;
  • Perda de peso;
  • Dor de cabeça.

 

Embora esses sejam os efeitos colaterais mais comuns, ocorrem casos mais raros onde as reações são mais perigosas.

No caso dos estimulantes:

  • Reação alérgica;
  • Aumento da pressão sanguínea;
  • Alucinações.

 

Para os não estimulantes:

  • Convulsões;
  • Danos no fígado;
  • Pensamentos suicidas.

 

Fica claro que esses efeitos colaterais, além de mais raros, são também extremamente sérios, principalmente no caso dos não estimulantes.

Por isso, mais uma vez, reforçamos a importância do acompanhamento de um profissional capacitado para orientar o uso desses remédios.

Embora seja a forma mais comum de combater o TDAH, o uso de medicamentos não é a única.

Vamos conhecer agora outros métodos de tratamento que também são recomendados.

 

Terapia

A terapia, assim como a medicação, pode ser usada para combater a TDAH e é adequada para pacientes de todas as faixas etárias.

Uma vantagem desse tipo de tratamento é que ele pode ajudar com diversos outros problemas além do TDAH. Ansiedade, depressão e baixa autoestima são exemplos que logo vêm à mente.

Falando especificamente do TDAH, o terapeuta ajudará o paciente a lidar com seus sentimentos e com os desafios que o transtorno traz.

 

 

Terapia Comportamental

Estudar o próprio comportamento e chegar a uma conclusão sobre qual a melhor forma de agir é uma atividade muito útil que também pode ser desenvolvida ao longo do processo terapêutico.

Esse tipo de terapia, que envolve o comportamento, é chamada de Terapia Comportamental e, no caso de pacientes com TDAH, a presença de familiares e educadores é muito importante para a construção de uma estratégia sólida e que seja consistente nos principais ambientes que a criança frequenta, a saber, o seio familiar e a escola.

 

 

Treinamento de habilidades sociais (THS)

O THS é uma abordagem dentro da Terapia Comportamental que permite aprimorar o comportamento do paciente em diversas situações sociais.

Geralmente o uso dessa abordagem envolve a simulação de diversas situações onde o paciente (que costuma ser uma criança) está no papel central.

Nessas encenações a criança é ensinada como proceder no contexto em questão. Alguns dos comportamentos encorajados podem ser, por exemplo:

  • Manter-se sentado durante uma refeição;
  • Esperar sua vez de falar;
  • Evitar comentários grosseiros.

 

 

Treinamento para pais

Ser pai de uma criança com TDAH pode ser uma tarefa desafiadora e muitas vezes a melhor maneira de agir pode não ser fácil de reconhecer.

Por isso, é importante usar as habilidades do terapeuta (ou o especialista que esteja fazendo o acompanhamento da criança) para adquirir conhecimento e ferramentas para lidar da melhor maneira possível com o filho.

Algumas técnicas úteis incluem:

Tempo juntos: procurar manter, pelo menos uma vez por semana, um momento entre pais e filho onde o grupo realiza uma atividade divertida. Essa é uma boa oportunidade para tocar no assunto do comportamento da criança e fazer elogios ou críticas construtivas.

 

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Recompensas ou punições imediatas: envolve um acompanhamento cuidadoso do comportamento da criança, recompensando bons comportamentos ou punindo comportamentos ruins. É importante não exagerar para nenhum dos lados, já que isso faz a relação entre comportamento e recompensa perder o valor.

Gerenciamento de estresse: para lidar com o desgaste de orientar uma criança com TDAH, atividades como terapia, Mindfulness ou exercícios podem ser muito úteis.

 

 

Outros cuidados úteis

Algumas atividades funcionam como bons complementos às opções de tratamento já citadas.

Uma delas são os passeios em locais abertos. Um estudo mostrou que até mesmo um passeio de 20 minutos em um parque já ajuda a melhorar a concentração da pessoa com TDAH.

Uma hipótese razoável é que essa melhora esteja relacionada ao contato com a natureza e áreas verdes. Um tópico que já exploramos em outro artigo.

Um segundo aspecto que pode estar relacionado ao TDAH é a alimentação.

Esse obviamente é um conselho que se estende a todos, mas pessoas com TDAH tem um motivo a mais para ter uma alimentação balanceada já que certos alimentos podem induzir piora nos sintomas do transtorno.

Quais alimentos são esses é uma questão que depende do organismo de cada um. Portanto uma boa estratégia é fazer um acompanhamento de quais tipos de comida antecedem uma intensificação nos sintomas.

Uma vez que pelo menos alguns alimentos tenham sido identificados, é o momento de falar com um médico.

Esse profissional poderá explicar porque certos nutrientes específicos servem de gatilho para a piora dos sintomas, e poderá, então, encaminhar o paciente a um nutricionista.

 

No terceiro e último artigo da série sobre TDAH, vamos explorar as causas, mitos e algumas dicas para lidar com pessoas com esse transtorno. Por isso, fique atento ao nosso Blog!



Por: João Vitor dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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