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Desvendando a TDAH – Convivência e mitos

No último artigo da série, conheça as causas por trás do transtorno, estratégias de convivência e alguns mitos em torno do TDAH
Publicado em: 03/02/2021


Este é o terceiro em uma série de três artigos. No primeiro artigo, falamos sobre o que é, e quais os principais sintomas do TDAH em crianças e adultos. No segundo, exploramos o diagnóstico e as opções de tratamento.

 

 

Causas

Entender as causas por trás de uma doença ou transtorno é uma das melhores apostas para evitar o surgimento de novos casos.

Entretanto, no caso do TDAH – um transtorno neurocomportamental – determinar com precisão a raiz (ou raízes) do problema tem se mostrado uma tarefa difícil.

A ciência, porém, identificou alguns fatores que parecem estar associados a um risco maior de TDAH. Vamos explorar alguns deles.

 

Genética

A herança genética é um grande fator na predisposição que uma criança ou adolescente tem de apresentar TDAH.

Um estudo identificou que tendência de surgimento do TDAH é significativamente mais alta em crianças cujo um dos pais (ou ambos) possui o transtorno.

Ainda não existem certezas sobre quais genes exatamente são responsáveis por essa tendência. Uma hipótese é a de que o gene DRD4, responsável pelos receptores de dopamina no cérebro, seja um dos fatores hereditários associados ao TDAH.

É importante ressaltar, contudo, que a hereditariedade é apenas mais um fator relacionado ao surgimento do TDAH. Pessoas sem a predisposição genética podem ser diagnosticadas com o transtorno. Da mesma forma, filhos de pessoas com TDAH não necessariamente sofrerão do problema.

 

Neurotoxinas

A intoxicação com certas substâncias também pode estar relacionada ao aparecimento do TDAH. Estudos apontam uma correlação significativa entre o transtorno e a exposição ao chumbo.

Além disso, pesticidas à base de organofosfato também podem estar associados ao TDAH. Um estudo identificou uma probabilidade maior de diagnóstico desse transtorno em crianças que receberam doses significativas do composto.

Evidências sugerem, inclusive, que esses pesticidas afetam de maneira mais ampla o desenvolvimento mental de crianças.

 

Álcool e cigarro durante a gravidez

O uso de certas drogas durante a gestação representa um risco enorme para o feto.

Um desses riscos, segundo um estudo, é o desenvolvimento de TDAH. O transtorno pode ser um resultado direto do volume menor do cerebelo, que por sua vez é provocado pelo consumo de álcool e cigarro.

 

 

Mitos sobre o TDAH

Talvez por conta das incertezas a respeito das causas por trás do transtorno, muitos mitos envolvendo o TDAH surgiram.

Muitas pessoas acreditam, por exemplo, que o transtorno pode ser causado por:

  • Assistir TV;
  • Consumir muito açúcar;
  • Jogar vídeo game;

 

Embora alguns desses itens possam estar relacionados a uma piora nos sintomas, não existem evidências de que eles possam causar o TDAH.

Outros mitos comuns sobre o transtorno incluem:

TDAH é causado pela criação ruim dos pais: Embora a existência do transtorno possa dificultar ou mesmo inviabilizar a aplicação das estratégias mais convencionais de criação, falhas ou erros em lidar com a criança irão, possivelmente, apenas intensificar os sintomas. Nunca irão fazer surgir o transtorno.

 

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O TDAH passa quando a criança cresce: Durante muito tempo foi mantida a ideia de que o transtorno desapareceria conforme a criança fosse envelhecendo.

Isso, porém, não tem base científica. Na verdade, as evidências apontam que a maior parte das crianças que foram diagnosticadas ainda apresentam os sintomas de maneira perceptível na vida adulta.

É claro, existem também os casos onde os sintomas diminuem tanto ao ponto de não interferirem mais.

A lição que fica é de que cada caso é um caso, e pessoas diferentes têm realidades diferentes.

 

É só preguiça ou falta de motivação: Embora sim, preguiça e desmotivação sejam problemas para muitas crianças, no caso de quem tem TDAH essas questões comportamentais são um pouco mais complexas.

Não se trata de simples preguiça, mas sim de um problema neurocomportamental. Por isso, sempre vale a pena consultar um profissional e receber uma confirmação.

 

 

Convivendo com o TDAH

Devido a maneira como afeta o comportamento da pessoa, conviver com alguém que sofre de TDAH pode ser bastante desafiador, principalmente quando o diagnosticado é uma criança.

É importante, acima de tudo, lembrar que muitas vezes um comportamento reprovável não é intencional. Isso exige paciência e compreensão. Os tratamentos e remédios, inclusive, servem para ajudar com essas questões comportamentais.

Mas isso não significa que os pais ou outras pessoas próximas não possam fazer nada para tornar a convivência mais agradável. Algumas dicas úteis incluem:

 

Divida o dia em etapas: Saber o que exatamente esperar do dia adiante pode ser muito útil para crianças com TDAH, isso a ajuda a lidar melhor com as atividades e com a rotina em geral.

Por isso, dividir as atividades do dia em passos pequenos e simples pode ser uma ótima forma de controlar os sintomas.

 

Seja específico: Ao passar alguma atividade para a criança, procure descrever exatamente cada etapa de sua execução. Isso facilita a interpretação da criança enquanto diminui a margem para erros.

 

Estabeleça uma rotina de sono: Ter hora certa para dormir e acordar é muito benéfico para qualquer pessoa. Crianças com TDAH também tem muito a ganhar com isso, já que uma rotina fixa de descanso colabora com o funcionamento do cérebro e a estabilidade das emoções.

 

Reaja com rapidez: Ao notar a criança ficando mais agitada e cada vez mais perto de perder o controle, intervenha.

Quanto mais cedo você intervir em uma possível crise, mais fácil será acalmar a criança.

 

Atividade física: Exercícios físicos são uma ótima forma de dar vazão à energia, além de manter o corpo saudável.

Tenha o cuidado, porém, de evitar atividades que possam ser estressantes, já que isso pode intensificar os sintomas.

 

 

Dicas para adultos com TDAH

  • Procure uma técnica de relaxamento que combine com você. Ouvir (ou fazer) música e praticar meditação são exemplos bastante comuns;
  • Busque comunicar sua condição o mais cedo possível a qualquer pessoa que possa interessar. Isso inclui empregadores, professores, colegas e possíveis parceiros;
  • Listas de tarefas e lembretes são muito úteis se você deseja lidar melhor com todos os compromissos da rotina. De maneira geral, a recomendação é manter sempre anotado tudo o que precisa ser feito.

 

 

Fontes: healthline.com e nhs.uk



Por: João Vitor dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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